quinta-feira, maio 31, 2007

SUJA



Teu amor me desgasta!


Eu, tecido preto à seco lavado, evito água do teu pranto para o céu de quem olha da calçada não acinzentar. Varal em alta sacada estendido, daonde pinga minha espessa tinta de sangue posta a quarar. Passo a ferro quente por dentro quando o vento infla, engravida ego. Não quero me apegar à nada desbotado. De noite a chuva dança como quem não tem par. Recolhida a roupa, reposta no corpo roto do magro, tamanho encolhida. Ódio gordo quando tudo não se encaixa.

Ensina-me a costurar sem rasgar tua vida.

2 comentários:

sANdrA fasolo disse...

Muito lindo, Paola. Lindo demais, pura poesia.

Já virei tua fã.

beijo lá das flores

literaria disse...

Lola,

bonito sujo belo poema.