sexta-feira, abril 27, 2007

MÔNADA

Retirado o lacre do seu simulacro: alimento d'alma estragado. Alguém lhe porá na geladeira. Negue calor a quem lhe dá zelo, o pior pesadelo é ocultar um bem sagrado. Ninguém escolhe o que sente, se ódio ou amor velado. O nunca dito é sempre mal interpretado. Siga suando nas mãos, virando a vista, evitando o beijo. A verdade é assim que se apresenta, em fogo brando, banho-Maria, ave! Ninguém é santo alto. Mistério desvelado. Cova rasa, cave. Mate-se quem puder. Só não dou de comer à culpa fria, que minha ânsia de viver é prova rara. Se quer construir nova casa, destrua. A felicidade é chantagiosa, oferece o prazer novo em troca do alicerçado. O certo estagna, produz o errado. Relativo tudo. Nada é só a sensação que fica no arrependimento do acomodado. Decida ou desça. Você está em pleno vôo e lá não há freio de não. Dirá Sim?

Paola Fonseca Benevides

6 comentários:

Ligia disse...

Eu já li esse texto umas 15 vezes! cada vez que eu leio, desejo cada vez mais não ter lido :p

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Duda Bandit disse...

menina, que texto forte... me assustou um pouco... adoro ficar assustado. é um belo poema em prosa...

Daniel Serrano disse...

Muito bom, sabe. A tela inteira, até onde o não arquivo me permitiu ver. Gostei.

Galo Branco disse...

Confesso que não entendi muita coisa.

sANdrA fasolo disse...

*colo aqui a resposta ao teu comentário lá nas flores para que não se perca na virtualidade.

Que fragmento lindo escreveste, pura poesia.

Visitei um dos teus blogs (este aqui), é muito interessante o que escreves, e belo e poético e lembra Camus. Coincidentemente eu estava lendo O Mito de Sísifo e então falas na "pedra" que salva... eu estava para escrever algumas linhas sobre Camus & Benjamim de Chico Buarque... senti vontade de colocar o teu comentário junto, Paola, pela "sincronia" e porque está belo em poesia. Escreves coisas maravilhosas e densas.

Marco A.de Araújo Bueno disse...

É mônada sim, pergunte se não ao W.Benjamin. Acho que passou pelo De Chaleira e eu chapei.