O que há de mais atrativo que o azul, a não ser uma nuvem, na dócil claridade?
Por isso prefiro ao silêncio uma teoria qualquer e, mais ainda, a uma página branca um escrito quando passa por insignificante.
É todo meu exercício e meu suspiro higiênico.
Domingo, Novembro 08, 2009
O INSIGNIFICANTE
Sábado, Novembro 07, 2009
Les Chansons D'amour

pour la beauté du geste? pela beleza do gesto?
As-tu déjà croqué Você já mordeu?
la pomme à pleine dent? a maçã com todos os dentes?
Pour la saveur du fruit Pelo Sabor do fruto
sa douceur et son zeste a sua doçura e o seu gosto
T'es tu perdu souvent? Já se perdeu algumas vezes?
Oui, j'ai déjà aimé Sim, eu já amei
pour la beauté du geste pela beleza do gesto.
mais la pomme était dure. Mas a maçã era dura,
Je m'y suis cassé les dents. e quebrei os dentes.
Ces passions immatures, Essas Paixões imaturas,
ces amours indigestes esses amores indigestos
m'ont écoeuré souvent me deixaram mal disposto algumas vezes.
Les amours qui durent Mas os amores que duram
font des amants exsangues, tornam os amantes exaustos
et leurs baisers trop mûrs E o beijo deles demasiado maduro,
nous pourrissent la langue apodrece-nos a língua
Les amour passagères Os amores passageiros
ont des futiles fièvres, têm febres fúteis
et leur baiser trop verts e o beijo demasiado verde
nous écorchent les lèvres nos esfola os lábios
Car a vouloir s'aimer Porque ao querer amar
pour la beauté du geste, pela beleza do gesto,
le ver dans la pomme o verme da maçã
nous glisse entre les dents. escorrega entre os dentes
Il nous ronge le coeur, corrói nosso coração,
le cerveau et le reste, o cérebro e o resto,
nous vide lentement esvazia-nos lentamente.
Mais lorsqu'on ose s'aimer Mas quando ousamos amar
pour la beauté du geste, pela beleza do gesto,
ce ver dans la pomme esse verme na maçã
qui glisse entre les dents, que desliza entre os dentes,
nous embaume le coeur, toca-nos o coração
le cerveau et nous laisse o cérebro e nos deixa
son parfum au dedans seu perfume lá dentro.
Les amours passagères Os amores passageiros,
font de futils efforts fazem esforços inúteis.
Leurs caresses ephémères Suas carícias efêmeras,
nous faitguent le corps cansam-nos o corpo.
Les amours qui durent Os amores que duram
font les amants moins beaux tornam os amantes menos belos.
Leurs caresses, à l'usure, As suas carícias usadas
ont raison de nos peaux. Dão cabo de nós.
Terça-feira, Outubro 27, 2009
Ensaio amoroso
Sexta-feira, Outubro 09, 2009
On the Road (citações)

"Era foder ou sair de cima"
"(...) o que me importava? Eu era um jovem escritor e tudo o que eu queria era cair fora".
"Quando ele ria todo mundo ria junto".
"(...)prometi seguir na mesma direção tão logo a primavera desabrochasse e os campos de cobrissem de flores".
"(...) porque, para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações em cujo centro fervilhante - pop! - pode-se ver um brilho azul e intenso até que todos 'aaaaaaah!'. Como é mesmo que eles chamavam esses garotos na Alemanha de Goethe?"
"Eu estava curtindo uma temporada fantástica e o mundo inteiro abria-se à minha frente porque eu não tinha sonhos."
"Qual é a sua estrada, homem? - a estrada do místico, a estrada do louco, a estrada do arco-íris, a estrada dos peixes, qualquer estrada... Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?"
"(...) e passando um ano excitadíssimo em LA, que incluiu toda uma turma de novos amigos e garotas incríveis, com a temporada terminando quando todos nós estávamos dirigindo pelo Hollywood Boulevard certa noite e eu disse para um dos meus camaradas segurar a direção enquanto eu beijava minha garota - era eu quem estava dirigindo, claro - e ele não me ouviu e nos esborrachamos contra um poste, mas estávamos apenas a trinta por hora e eu só quebrei o nariz."
"Uns são filhos da puta, outros não, e isso é tudo"
Segunda-feira, Outubro 05, 2009
Paixão = caixão e pá.

I mean, arrumar as trouxas, deixar outro(a)s trouxas, seguir viagem para um novo lar, ser mais esquecível de sentimentos vis tais o amor.
(Vitais?)
Camões tinha razão, o amor é fogo mesmo. Foda... Se só na foda ficasse, ainda seria uma boa. Mas não, a gente sempre quer mais e acha que pode ter. Loto fácil.
Admiro uns amigos quarentões solteiros, dedicadíssimos à profissão - geralmente ligada à arte - e ao sexo, opostos à qualquer situação de posse ou casamento, sem compromisso com o errado. Mas eu, e creio que isso seja um erro, é até fato (Artefato?), eu não consigo conviver direito com os resquícios do passado alheio, especialmente quando atrapalham a relação, roubam o tempo dela, a dedicação, o cuidado... Seria tão ruim também, confesso, se o outro fosse tolhido de certas experiências que de repente o tornaram melhor hoje. O pior precisa nascer para que algum sentimento maior amadureça, talvez. Somos tão positivos quando cegos, não? Devemos. Pagamos para crer.
Prefiro moldar-me ao mundo e não a alguém específico, preservar a espécie rara da minha parte humana. Ânima silvestre. Há quem prefira ter outro ser ao lado (alado?), que ficar avulso até a velhice. A maioria tem medo mesmo é de não encontrar o dito ideal, satisfazendo-se com o que julgam tolerável. Eu tenho medo é da mesmice. Até porque existem outras pessoas e coisas para se experimentar antes do desencárnio. No final, a carne é forte. A culpa de séculos cristãos é que mata a gente. Assim, termino por julgar religioso matar a saudade de um cacete com um pedaço de pau.
Segunda-feira, Setembro 07, 2009

Forte argumento.
O silêncio é bom para quem não se quer revelar ou fazer-se conhecer a contento, por si já se confessa e se diz sábio. Mas se omite. Orientais conhecem isso melhor; será que encontraram alguma verdade? Humildes não, orgulhosos, pois se preservam de tudo. Doam menos, menos dói. Quietos fiquemos, acidentalmente ocidentais. E aos macacos com mãos nos olhos da boca, dê ouvidos.
Domingo, Agosto 30, 2009
A vida se resume em 4 utensílios

Mas depois do Útero
O Bebê ao beber Leite,
adolesce na Coca-Cola,
adultera-se na Cerveja
e remedia morte no Soro.
Segunda-feira, Agosto 10, 2009
Quarta-feira, Julho 22, 2009
10 odorantes depois

Quinta-feira, Julho 02, 2009
Elegia VII
Essa sensação de ir descalço,
a camisa cheirando a sol de varal.
Tu, minha mulher, eras corrente e água calma,
as oscilações da palha e trigo.
Teu corpo arvorava nos lábios indecisos ou nos cabelos?
Na encosta da cinta ou nas dunas dos seios?
Quando começavas a te revelar? No desejo apetecido
ou na fome de um filho?
Como definir se a luz deitou as vestes?
Cumprias distâncias em mim.
Madrugando não alcançaria.
Venho de tua lonjura, os braços eram remos
no barco e aço da âncora.
Acostumado à extensão das raízes,
não sobrevivo no vaso dos pés.
Passei a vida aprendendo a respeitar teu espaço.
Como povoá-lo
após tua partida?
Poema do livro Terceira Sede: Elegias (Bertrand Brasil, 2009), novo trabalho do poeta Fabricio Carpinejar.


