domingo, julho 08, 2007

Panorâmica












O que tenho a ver com paisagens de janela embaçada?
Nela passo meu antebraço com a mão destra fechada.
Esfrego os olhos com punhados de sal preto. Carvão.
Vista para um mar cheio de alardes e ardências.
Aumentam a pressão. Fachada do sol encoberta.
Mar de sangue ao som de maré alta dentro da concha.
Nenhuma rocha por perto, céu limpo de Aquarius.
Daí então eu grito às ondas do corpo em montanhas de prédio.
Oca vertigem de quem deságüa à margem petrificada.
Lágrimas imperceptíveis na face imersa. Uma farsa, apenas.

2 comentários:

Graça Carpes disse...

Em umidades.
:)

sANdrA fasolo disse...

Maravilhoso, Paola. Sabe, algo no teu texto me faz lembrar Chico Buarque, não sei bem o quê e nem sei o porquê, talvez seja a sensação que o teu texto desperta.
Curtes os livros do Chico?
Eu adoro, principalmente Estorvo.
beijos
sANdrA