domingo, fevereiro 18, 2007

Diálogo MeSsiâNico (part I)


Mortesã:
- Boas tardes, homem!

A-Morte-Cai:
- Buenas!

Mortesã:
-E eu não sabia que eras anjo, na assexualidade atrevida que cai...

A-Morte-Cai:
-Nem eu. Por certo que sou um anjo, mas não aqueles lá dos céus...

Mortesã:
-Obscuro, entendo bem. Vês que o sol cairá logo mais feito a vida!

A-Morte-Cai:
-A vida é como o sol, vêm e vai. Mas há cousas que não aderem a essas regras universais...

Mortesã:
-Que coisas? Creio sem receio que tudo que vai, retorna um dia. Ah... Mar é isso!

A-Morte-Cai:
-Ah.. Mar não é eterno, nem mesmo amar... mas da morte não se pode dizer o mesmo. Ela sempre esteve e sempre estará aqui e em todos os lugares. Esta sim, é eterna! Porque sempre há coisas morrendo... homens, animais e estrelas...

Mortesã:
-Por isso a cortejo e a revelo em velórios costumazes. Cortesã dos desviventes vívidos sou.

A-Morte-Cai:
Prazer, nobre cortesã! Eu não sou desvivente, mas vívido também não sou. Te agrada conversar com um desconhecido? Posto que nem humano, nem de fora sou?

Mortesã:
Prazer, nobre decadente! És ente de décadas quais?

A-Morte-Cai:
-Para falar a verdade, não me lembro. Há tanto vago por todos os lugares que não sei nem de onde é os meus ares.. Mas não sou bom com rimas, percebe? Deixo-a para os trovadores e para os demônios, adagistas profissionais...

Mortesã:
-Para que rimar, se já basta quem ri sem ser preciso amar a vida?
Isso é bagagem de outras existências, o yin yang sem métrica, a poesia onírica...

A-Morte-Cai:
-Ah! E lhe peço desculpas, pois não sei de onde SÃO os meus ares... Claro! para o que não é eterno e o é, a rima não afeta nada... as vezes a imagem vale bem mais que a palavra.

Mortesã:
-Discordo da força da cor, que ela vale mais. Energias emanam sem se mostrar: complexos espectrais. Só vejo teu manto sobre tudo.

A-Morte-Cai:
-E assim prefiro. Minha forma é grotesca demais para lhe revelar. Mas o que seria você então? Um espectro eficaz um uma saltadora de túmulos?

Mortesã:
-Deixo a face esquálida do atempo me revelar. Atento para ti, Sir trevoso... Curiosa para o que há debaixo de tuas vestes de carne forte.

A-Morte-Cai:
-Já me apresentei sem esse manto para Dante, Virgílio e depois para Don Quixote. Nem um deles aprovaram o que viram. Não há só um ser debaixo dessas vestes carnais... mas uma legião... daqueles que "portam a luz"...

Mortesã:
-Tua voz é barroca nessa treva e luz, que me seduz a boca para revelar-te meus anseios. Quero bebericar desse brilho! Fragmentei meus eus sem muito enfado. Olho, pernas e braços são trechos das totalidades. Venha a mim, chegue mais perto com teus demônios vários!

A-Morte-Cai:
-Revela-te então, nobre cortesã, para que esse pobre ser que não é saiba com quem realmente fala. Eu que sou Ele e que não sou.. Apenas três passos...

Mortesã:
-Três toques tresloucados permito. Sintas o relevo da alma que se rebela contigo, mas descansa em paz...

A-Morte-Cai:
-Farás então, nobre cortesã, os mesmos despojos que Dante, Virgílio e Quixote? Me enxotarás por não perceber quem realmente sou e não sou?

Mortesã:
-Não, meu feminino hábito proíbe. Eu era freira dos imortais, já fu i, sempre serei sereia aos ouvidos dos meninos Jesus.

A-Morte-Cai:
-Então, suponho uma troca: diga-me que tu és e eu lhe revelo quem "eus sous"...

Mortesã:
-Soul tua sorte, não reconheces? Deuses trajados de mendigo para desvirtuar, testar a quem se presta ao dôo. Já deves ter ouvido falar...
Não me interessam as definições, somos indefinitos ou não somos?
Essa mania dos homens em denominar...

A-Morte-Cai:
-Acredito estar além das indefinições. Mas não sou homem. Há uma forma de lhe revelar n'uma unidade que "eus sous"... "Eus sous o Caos". "Eus sous o equilibrio universal".

Mortesã:
-Deusmônio?

A-Morte-Cai:
-Quase! Apenas "A Legião".. Porque nem Deus nem o Demônio são únicos...

Mortesã:
O universo é feito por todas as mãos, agora acredito.

A-Morte-Cai:
-E todas essas mãos e crenças de mim fazem parte também.

Mortesã :
-Shiva, Buda, Lennon, Hitler, Lispector... Eu também e tãomal!

A-Morte-Cai:
Do primeiro germe responsável pelo começo da vida no universo, até a última criança que naceu em qualquer planeta, até a morte de todos.. Esses sou eu! Desculpe, mas a palavra certa é "nasceu"...

Mortesã:
-Sim, nas + ceu. nascEUs, ó céus!!!

A-Morte-Cai:
-Eu sou NÓS mesmos!

Mortesã:
Aaaaaiiii, intrínsecos, ressecando a poeira nesse vento de chuva...
Adentrando portais que reles mortais não vêem.

A-Morte-Cai:
-Sim. Até você faz parte de mim...

Mortesã:
-Que bonito! Olha a Lua agora e te transformas comigo.

A-Morte-Cai:
-Transformar em quê? Se eu já sou todas as formas.. e não sou... Por certo quero ficar contigo, mas há como ficar comigo mesmo?

Mortesã:
-Já estamos. Ou somos? Nem sequer assumimos. Vamos alçar vôo alados para o nada. Perder os fios estando interligados... Rumo ao planeta que não é feito de terra ou água, mas o chamado novo PARADOX SAL... Estamos perto?

A-Morte-Cai:
-Então vamos, ó nobre cortesã. As anti-matérias nos esperam para nivelar o eterno caos. Vamos agenciar o equilíbro universal!



Via MSN:
A-MORTE-CAI
>>> Andrios S. Moreira
MORTESÃ >>> Paola F. Benevides

3 comentários:

Cristiano Contreiras disse...

otimo seu blog sempre!

Boteco do Ribeiro disse...

salve paola, valeu por me linkar em seu blog. estou linkando o seu também. beijo

sANdrA fasolo disse...

Paola,
sem a tua permissão coloquei teu comentário no texto que estava por escrever, eu realmente fiquei espantada por sentar aqui em frente ao micro com o texto em mente e me deparar com um fragmento tão lindo quanto o que deixaste lá nas flores, nossa, tinha tudo a ver. A vida às vezes é tão estranha. Obrigada, foi uma poesia que ultrapassou a própria linguagem.