quarta-feira, agosto 09, 2006

Encontros e Desencontros


Sabe aquela popular constatação de não ir com a cara do indivíduo mesmo sem o conhecer, do santo não bater com o do outro? Pois bem, antipatizei-me com um desses semana passada. Carinha de pedante, estilo mauricinho, todo metidinho a besta e se achando o etc e tal. Nossa, se pra mulher já pega mal a vaidade acerba a esse ponto, imagine pra um cara. Não é machismo, é nojo mesmo. E ele se julga o intocável, o "dissidente" no meio da ralé de pessoas comuns. Tudo começou com o rosto de meio-sorrisinho aparecendo no quadrado miúdo das fotos do orkut (ai, não aguento mais esse troço! Mas preservo uma relação de amor e ódio, pois é-me tão útil quanto fútil). Foi se chegando em comunidades, até que surgiu assim, na minha frente, distanciadamente, numa mesa de bar, sozinho, espalhando risinhos antipáticos aos seus. Perseguição, só pode. Depois descubro que este é tão próximo de mim quanto uma cobra que morde e não se vê. Não vou nem citar o nome aqui. Sempre assim... Essa coisa de carma, de reencontrar amiguinhos de vidas passadas pra passar tudo a limpo é um saco. De Lixo. Nem sei se creio nisso, mas não é questão de escolha minha. Parece que já nasci com essa mística encruada e não sai nem com alvejante cósmico. Outra situação semelhante, porém paradoxalmente oposta, foi ter encontrado uma pessoa dentro do ônibus que me fez sair do mutismo timidamente meu pra puxar conversa. Contudo, se ele não estivesse vestindo a camisa da minha dileta banda, nem teria procurado assunto. Sabe aquela sensação de que algo lhe impele a fazer, de impulso? Pois é, estava esperando a condução, quando de chofre surge a criatura de costas trajando U2 e, sem olhar pra numeração do Bus, já entro a hesitar um tanto. Compartilhamos o mesmo banco ao sol. Ele se chamava Felipe, fã incondicional do Iron Maiden, estudante de Odonto na Unifor, fez intercâmbio em Londres, passou pela Irlanda, pela casa do Bono, tirou foto com ele antes do show no Morumbi. Seria verdade? Minha ingenuidade me permitirá algum dia mentir tão belamente quanto este rapaz? E por que não também? Essa mania ínfima de achar o mínimo o máximo... A viagem foi findando, o ônibus parando (ainda bem que era o certo), nós descendo, continuando o papo. Ao final, a despedida, o aperto amistoso de mãos e quase a certeza de ficarmos por manter contato - adivinhe onde? Orkut. Cadê que o reencontrei? Justo a cara com quem vou, justo o santo que me bate, não mais encontro! Isso é terrível. Já estava apegada como a uma amizade de longa data, mas a vida é doida assim mesmo. Ela simplesmente aparta quem queremos perto e aproxima quem queremos distante. Melhor não querer... Cruzar caminhos é o que importa.

Um comentário:

Rogério Kreidlow disse...

Uau! Ficou muito bom o início do blog. Adolu essa menininha criativa, beijo!