sábado, dezembro 10, 2005

Walking Around

Walking Around (Pablo Neruda)

Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.
Todavia, seria delicioso assustar um notário
com um lírio cortado ou matar uma freira com um soco na orelha.
Seria belo ir pelas ruas com uma faca verde
e aos gritos até morrer de frio.
Passeio calmamente, com olhos, com sapatos,
com fúria e esquecimento,
passo, atravesso escritórios e lojas ortopédicas,
e pátios onde há roupa pendurada num arame:
cuecas, toalhas e camisas que choram
lentas lágrimas sórdidas.

2 comentários:

madmanbrazil disse...

PAOLA ATE Q ENFIM ACHEI O ENDEREÇO CORRETO, MUITO BOM OS SEUS TRABALHOS VC SABE Q SEMPRE DISSE ISSO. QUANDO SAIR O MEU UNIVERSO # 9 QUERO 2 COPIAS 1 PRA MIM OUTRA PRO NICHOLAS. ABRAÇOS

EMMANUEL

voyeurdapoesia disse...

ERA NOITE, NÃO SE OUVIA VIVALMA







Era noite, não se ouvia vivalma



Nem o ranger da cama de cima



Esta quietude que não me acalma



Naquele silêncio que lateja e rima…







E meu corpo desafiava a alma



Meus olhos tristes, que triste sina



Estava tão só… como esta calma



Abismo fundo da profunda mina…







Sentida agonia de quase morto



A melena fétida me denunciava



Mais tempo houvesse, era horto







Olhei, em redor tudo era branco



Deitado na maca sinistra do banco



Estivera morto e ressuscitava…







(Memórias )



Rogério M. Simões