domingo, setembro 25, 2005

BRASIL


AMOR À PÁTRIA

Amor... Por onde andas? Aonde corre aquela glória incólume a empunhar o tão frondoso mastro da ordem e do progresso? Vejo-te caminhar tão tímido sob as sombras desta atroz realidade, por entre as ervas daninhas da corrupção generalizada, ludibriado pelas falsas promessas fáceis de uma politicagem astuta e mal intencionada! Teus pés foram se fincando no lodo do pessimismo nacional, ao lado dos risos amarelecidos, que às estreitas frestas passaram a pronunciar seus parcos fios de esperança.

O Brasil sofre de desilusão amorosa. Desde os primórdios de sua colonização, em que a ambição sanguinolenta resolveu arrancar um imenso quinhão do pátrio seio, seu povo vem experimentando o fel dessas vicissitudes. Eis uma identidade cultural em decomposição, com suas fontes auríferas escasseando e o brio sendo deflorado por estúpidas mãos. Contudo, resta à nação preservar a sua fé e não a sua cegueira, para que as consciências não sejam também violadas. Pois só a fé será capaz de inflar os ânimos, tal qual o ímpeto de uma nova paixão, que arrebata o espírito mais cabisbaixo com o seu poder de transformação.

Então, o amor... Em que tenebrosa floresta se ocultara aquele nacionalismo vicejante? E por que ele insiste apenas em florescer nas arquibancadas como mero espectador de gols, na alegria disfarçada das massas que torcem pela vitória imediata? É preciso aprender a perceber os deslizes, indignar-se com os erros, porém jamais deixá-los estagnados a corroer lentamente os corações mais vulneráveis, nem deslocar toda a culpa para os governantes desse país entristecido. Muito se lutou em favor da democracia e pela conquista do voto. Hoje há o poder de se fazer escolhas, no entanto, se houve o arrependimento, eis a mera conseqüência de uma opção equivocada que deve ser assumida e encarada frente a frente.

Quando um elo de estreita afeição se desfaz, indica que toda a predisposição em zelar pelo outro ruiu. A crise paira no ar. Mas como reconstruir essa devoção ante tanto remorso? A corrente está enferrujando! E nesses tempos de omissão, em que um espera pelo outro e só, têm-se porções elevadas de pensamentos nostálgicos. Muitos sentem saudades dos idos tempos protagonizados pelos jovens rebeldes da ditadura, pelas caras pintadas, achando que hoje as coisas mudaram e que nada, nenhuma forma de manifestação popular, solucionará esta problemática. A isso melhor convém chamar indolência.

Os brasileiros passaram a menosprezar a semente ressequida da sua sensibilidade patriótica, sem se aperceberem da mágica inculcada dentro dela. Bem ali pode estar sepultada toda a paz e sua fortaleza revolucionária: uma grande árvore a ser plantada, reavivando assim as esperanças com a doçura de seus frutos já amadurecidos!

Nenhum comentário: